Um dos graves problemas de Lisboa é a sua mobilidade, v.g., a forma como os transportes públicos estão organizados em Lisboa e como eles funcionam em articulação com as necessidades da população. Fala-se de Lisboa e aparece uma foto do Underground de Londres? Estranho, não é? Tudo tem uma explicação.
Torna-se bastante curioso passar duas semanas em Londres, com um uso bastante intensivo dos transportes públicos (quer Underground, quer Bus) para compreender as diferenças abissais entre competência e organização e incompetência, desleixo, desorganização, incúria e má gestão.
Primeiro exemplo: a condição de algumas das estações de Metro de Lisboa. Absolutamente degradantes, desprestigiantes, qual indígena que não tem vergonha na cara de mostrar o seu degredo profundo. Vai-se ver as estações do London Underground e curiosamente repara-se que, apesar da sua idade já assinalável, temos estações limpas, seguras, bem organizadas e sem uma falha na estrutura. Ademais, pormenor ainda mais curioso: na esmagadora maior parte das linhas (senão mesmo quase todas, mas não tive necessidade de andar em todas) os comboios aparecem de três em três minutos, repito, de três em três minutos (média, às vezes até aparecem em minutos seguidos) e esta frequência continua até ao último comboio, por volta das 01h, dependendo da estação e da linha. Qual quê esperar mais de 10 minutos já depois das 23h ou então encontrar linhas com o número de carruagens reduzidas...
Segundo exemplo: dia de Ano Novo, movimento intenso. Lisboa? Pelos vistos, parece que o Metro fechou às 23h45, how curious indeed. Ao passo que o Underground de Londres... even more curious indeed(!!!)... não só correu toda a noite, sem interrupções e com o horário de dia, como ainda, entre as 23h45 e as 04h30, foi de borla para o pessoal (descontar a jogada política do Mayor Boris Johnson que tem o olho no lugar do Cameron...). Belas diferenças, não são?
Terceiro e último exemplo: os Bus por aqui têm uma frequência média que varia entre os 6 e os 10 minutos de espera, dependendo se é nas "peak hours" ou nas "off peak" e dependendo também se é Central London, ou se já começa a entrar nos subúrbios, onde o tempo de espera pode chegar aos 15 minutos, média. Ainda mais curiosamente, a quantidade de autocarros nocturnos que estão disponíveis são de uma quantidade bastante interessante (para a zona de Dollis Hill, suburbio de Londres, que dista do centro a 20 minutos de Metro) existem, nem mais nem menos, do que 8 a 10 carreiras (de memória...). E isto só para esta zona... Quanto a Lisboa, a realidade dita os números que se conhece...
Perante isto, das duas uma: ou somos nós os avançados e os outros é que são os malucos; ou então, temos aqui um verdadeiro problema em que o nosso atraso, incompetencia, inabilidade e mais não sei quantos adjectivos são notórios.
Último pormenor: não me esqueço que falamos de serviços públicos, que no burgo português funciona ao nível do Estado e que, por aqui, é mais descentralizado (Londres) ou até parcialmente privatizado (National Rail Services). Portanto, o caro indígena português e lisboeta que escolha: ou quer algo moderno e que funcione, ou quer a mesma porcaria de sempre. Enfim, Portugal é uma piada, e Lisboa é uma tragédia profunda...
Aproveito para desejar um Feliz Ano Novo a todos os leitores do Pensar Lisboa, cheio de Liberdade, Propriedade e Segurança
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