Imaginem o que é ser contratado por uma
sólida empresa e depois de trabalhar durante anos para essa sólida
empresa, ser transferidas para outra, mais pequena, com escassos meios,
dependente da primeira… sem vos perguntarem nada.
Embora, contra a vossa vontade. É exactamente isto que os trabalhadores de recolha do lixo sentem
nas “transferências de competências” do Município, para as Juntas de Freguesia.
Depois, temos a questão do interesse público, olimpicamente obnubilado, quando o resultado final seja um serviço público, de
interesse público, porque imprescindível à convivência em sociedade, prestado
com uma qualidade fatalmente inferior.
Mas no fundo isto é o que dá não saber se se quer ser Primeiro-Ministro ou Presidente de Câmara... Ou Presidente da República...
Ou talvez não, se pensarmos na engenharia
administrativo-financeira, logo a seguir a muitas obras e alguma inaugurações
em véspera de eleições, que o orçamento não autoriza, nem que para isso seja preciso invocar o estado de necessidade ao mesmo tempo que se vende património.
E ciclovias. E muitos prédios devolutos, alguns com perigo de derrocada. E
assim se passou 2013.
Juntem a estes ingredientes uma CGTP algo irresponsável, mas
com a razão do seu lado, num mundo cão onde tudo se faz pela calada (leiam bem o 2º parágrafo desta notícia...) onde é
preciso por vezes não olhar a meios. Mas o certo é que quem vai sofrer mais,
desta vez, são mesmo os lisboetas. Todos, os que aqui residem e os que cá trabalham.
E uns milhares de turistas que levarão na bagagem memórias uma Lisboa suja.
Acumulam-se os sacos à volta dos contentores. Montões… Folhas caídas por todo o lado... O
fedor empesta e as moscas esvoaçam em círculos. Restos de muitos banquetes,
que apodrecem no meio da rua. Fede! E como nada está tão mal que não possa
piorar, vem aí o Ano Novo, depois deste em que as finanças recomendam ficar por
Lisboa, mesmo que o clima, nem por isso… A quantidade de garrafas e vidros
partidos nas ruas dará uma luminosidade especial à cidade… Os embrulhos
rasgados, sacos de todas as cores, caixas de prendas vazias e amarrotadas, dão
alegria a este espectáculo (a seu tempo, os ratos darão movimento), que poderáser apreciado até dia 5 de Janeiro.
Destroços de Boas Festas, que a crise, e o governo, desta
vez, não vão conseguir estragar…
P.S.: a foto foi tirada em frente ao centro de recolha, no Parque Silva Porto, em Benfica.
P.S.: a foto foi tirada em frente ao centro de recolha, no Parque Silva Porto, em Benfica.

Sem comentários:
Enviar um comentário