O pai era sapateiro em Paiões, Sintra, e morreu de
uma «tísica fulminante», em 1880, quando ele tinha dois anos. Por diligência do pároco da freguesia, entrou para a Casa Pia de Lisboa em 1887, onde seis anos depois, Januário Barreto e Bruno José do Carmo espalham
entre os colegas a «novidade do jogo da bola» . E logo ele, franzino, mostrou o seu jeito no futebol, como já mostrara no desenho e na
escultura.
Para que se matriculasse na Escola de Belas Artes, em 1893 a
Casa Pia deu-lhe, para despesas, subsídio mensal de sete mil réis. Cinco anos depois,
terminou o curso, com distinção e medalha de prata.
Em 1903 ganhou o concurso de Escultura para pensionista na
Escola de Belas Artes de Paris. Dava para pouco a bolsa, no inverno,
faltando-lhe o dinheiro para o combustível do fogão, embrulhava o corpo em
folhas do Le Fígaro e do Le Matin e cobria-o com os fatos roçados que tinha, para
se aquecer.
Através de um subsídio Valmor, foi estudar para Roma em 1906.
A «prova de assiduidade», obra denominada “Crepúsculo” perdeu-se num armazém da
alfândega e Francisco dos Santos ficou sem direito à bolsa. Teve de
viver seis meses a crédito do senhorio, dando aulas de francês para pagar a
comida.
Para ganhar mais algum, ofereceu-se para futebolista da Lázio. E assim se tornou o primeiro português a jogar no estrangeiro. Em 1907, já
era capitão de equipa. Épico foi um "derby" Roma-Lazio. Mesmo com duas costelas partidas, num choque com adversário que fracturou
seis e foi de escantilhão para o hospital, Francisco dos Santos continuou em campo.
Em 1909, regressou a Portugal e em 1910, quando se lançou
concurso para o Busto da República, Francisco dos Santos venceu-o. Contudo, por
essa altura já havia outro e quando o Partido Republicano ganhou a Câmara de
Lisboa, Braamcamp Freire, o seu presidente, encomendou-o a Simões d'Almeida
(sobrinho). E essa foi a imagem que se usou, simbólica, nos funerais de Miguel
Bombarda e Cândido dos Reis e acabou por se sobrepor, em actos oficiais, moedas,
brochuras, documentos, é a que está na Academia Nacional de Belas Artes.
Para além da Estátua do Marquês de Pombal, são de Francisco dos
Santos outros importantes monumentos: Marinheiro Ao Leme, no Cais do Sodré,
Prometeu, no Jardim Constantino, e o Túmulo de Gomes Leal no Cemitério do Alto
de São João.
Obrigado por esta novidade. Desconhecia de todo. O vosso blog é mesmo um poço de sabedoria. Comentam, criticam, explicam, debatem. A democracia e Lisboa precisa de vocês.
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