O porta-vozes do movimento "Mais Contentores
Não!", Miguel Sousa Tavares, considera que o Governo perdeu uma
"oportunidade incrível" de resolver a questão dos contentores em
Alcântara e criticou a reestruturação do Porto de Lisboa hoje apresentada.
"É a continuação de uma aposta errada. Dessa forma, os contentores vão ficar no centro da cidade e os passageiros na periferia",
disse o também jornalista à Lusa.
O próprio António Costa levanta a dúvida: Uma vez que as
mercadorias se destinam à zona norte de lisboa, está por saber como é que vão
ser para lá transportadas.
O movimento "Mais Contentores Não!" surgiu de um
grupo de cidadãos que contestavam o alargamento do terminal de contentores de
Alcântara, obra projetada pelo anterior Governo do PS e entretanto suspensa e
investigada pelo Ministério Público, por suspeitas de que o interesse do Estado
tenha sido prejudicado, dado que não houve concurso público e as condições do
contrato são escandalosamente favoráveis ao Grupo Mota-Engil, liderado (até Janeiro
de 2013) por Jorge Coelho, ex-Ministro do Equipamento Social (Obras Públicas)…
O Governo de Sócrates prolongou a concessão alegando que a
capacidade do porto poderá ficar esgotada antes de 2012. No entanto, de acordo
com números da Administração do porto de Lisboa, em 2008 movimentaram-se menos
quatro mil contentores do que em 2002, levantando assim muitas dúvidas sobre a
necessidade de antecipar o negócio, feito sem concurso público, e que entrega a
exploração do Terminal à “liscont”, empresa do grupo Mota-Engil por um total de
57 anos (1985 - 2042). Como se não bastasse, o contrato celebrado inclui
diversas cláusulas que garantem todas as vantagens do negócio para a empresa do
universo Mota-Engil. A Liscount tem direito à "reposição do equilíbrio
financeiro", ficando assim totalmente protegida dos prejuízos que possam
resultar do investimento de quase 227 milhões de euros. A ampliação da
capacidade do terminal de contentores de Alcântara que o Governo, implicaria a
criação de uma muralha com cerca de 1,5 quilómetros com 12 a 15 metros de
altura entre a Cidade de Lisboa e o Rio Tejo. A zona de Alcântara ficaria
sujeita a obras durante um período previsto de 6 anos, impossibilitando assim a
população de aceder ao rio pelas “Docas”, levando ao fecho de toda a actividade
lúdica desta zona, pondo em risco 700 postos de trabalho.
Recorde-se que este acordo entre o Estado e a Mota-Engil
teve o apoio da Câmara Municipal de Lisboa, liderada por António Costa.
Na altura, também o vereador José Sá Fernandes apoiou esta
solução, provocando a ruptura com o Bloco de Esquerda, que sempre se opôs a
este negócio considerado lesivo para o Estado.
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