É hoje convidado do Pensar Lisboa
Fábio Morgado, Presidente da ANJAS FAUL,
estrutura representativa dos jovens autarcas socialistas da Federação da Área
Urbana de Lisboa que foi entrevistado sobre O Papel da (s) Juventude (s) nas
Autarquias: nomeadamente a Visão dos Jovens Socialistas Lisboetas. Não podemos
deixar de agradecer a amabilidade e disponibilidade que o nosso convidado
demonstrou neste desafio que lhe lançámos: Pensar Lisboa.
Pensar Lisboa - Como caracterizas a estrutura que lideras ANJAS-FAUL?
Fábio Morgado - A ANJAS FAUL tem
como grande objectivo a formação, a nivel autárquico, de jovens militantes da
Juventude Socialista, de forma a preparar os mesmos para os desafios
autárquicos que se avizinham. Além da componente de formação, a ANJAS FAUL é
também uma fonte de divulgação do melhor que os autarcas jovens da Juventude
Socialista fazem por todas as autarquias da Área Urbana de Lisboa. Para além do
seu papel de informação e formação, a ANJAS FAUL serve também como plataforma
de comunicação entre os vários autarcas eleitos pertencentes à Juventude
Socialista. Apesar de se encontrar a dar os primeiros passos, existe uma grande
vontade dos seus membros em concretizar todos os objectivos acima propostos.
Pensar Lisboa - Qual o papel que o jovem deve ter a nível da autarquia
ou das Juntas de Freguesia?
Fábio Morgado - Os jovens devem
ter um papel cada vez mais importante a nível autárquico, não só pelas novas
abordagens que podem dar aos problemas que surgem na gestão autárquica, mas
também pelas qualidades inerentes à juventude, seja a irreverência, seja a
capacidade para reinventar e criar novas formas de fazer política, algo
essencial hoje em dia em que cada vez mais pessoas se sentem desiludidas e se
denota o afastamento do cidadão comum da política e dos eleitos. Assim, os
jovens são essenciais para criar o chamado mix
de gerações, ou seja, aliar a experiência dos menos jovens com a já referida
irreverência dos mais jovens na gestão da coisa pública.
Pensar Lisboa - Achas que ainda há poucos jovens nos órgãos
autárquicos?
Fábio Morgado - Julgo que se tem
vindo a caminhar para uma maior integração dos jovens nos órgãos autárquicos e
muito se deve ao interesse que a juventude tem vindo a demonstrar sobre o que
se passa na sua freguesia, no seu concelho e a procura incessante em querer
participar de forma activa na resolução e gestão da sua autarquia sendo que por
vezes esbarram na inacessibilidade, complexidade e burocracia dos órgãos
autárquicos. Mais, as ideias propostas pelos jovens, talvez pela inovação e
novidade que representam, tendem a ser desconsideradas, algo que se reflecte
ainda na pouca visibilidade dos jovens nas listas para os vários órgãos
autárquicos. Contudo, o paradigma tem vindo a mudar, tendo os vários partidos
vindo a reconhecer o real valor da participação dos jovens nas lides autárquicas,
pelo que caminhamos claramente para uma maior integração dos mesmos, procurando
alcançar o tal mix perfeito de gerações nas várias listas apresentadas pelos
vários partidos às autárquicas.
Pensar Lisboa - Na tua opinião, o que deveria mudar?
Fábio Morgado - A mudança que
deve, a curto prazo, ser alcançada será certamente a referida integração de
mais jovens nos órgãos autárquicos, a qual deve ser acompanhada pela crescente
cooperação entre mais jovens e menos jovens. É essencial que a vertente de
cooperação multigeracional seja uma realidade sob pena de esvaziamento do papel
dos jovens na política autárquica, só com a partilha de experiências, ideias e
ideais se pode potenciar o papel de todos os intervenientes autárquicos,
melhorando assim a qualidade da democracia e promovendo uma melhor gestão das
autarquias.
Pensar Lisboa - Que propostas tem a ANJAS - FAUL?
Fábio Morgado - A ANJAS FAUL
enquanto associação integrada dentro de uma juventude partidária, a Juventude
Socialista, tem o seu objecto delimitado ao que já anteriormente foi referido,
formação, informação e comunicação, sendo que defenderá sempre todas as
propostas que visem assegurar a defesa dos interesses e direitos dos jovens nos
vários concelhos da Área Urbana de Lisboa. Assim, a ANJAS FAUL visa fomentar a
formação dos seus quadros, dotando-os das ferramentas necessárias e
complementando as competências que cada um tem, para que um autarca eleito pela
Juventude Socialista seja capaz de dar o seu melhor no desempenho das referidas
funções. Além disso, a ANJAS FAUL defenderá sempre boas práticas na área da
Juventude que são hoje uma realidade pelos vários concelhos da AML, como é o
caso do Cartão Jovem Municipal promovido pela Câmara Municipal de Odivelas, ou
ainda, o projecto de democratização do empreendedorismo, promovido pela Junta
de Freguesia de Campolide, em Lisboa.
Pensar Lisboa - Achas que a actual política de juventude seguida em
Lisboa é a correcta?
Fábio Morgado - Certamente não
será perfeita, mas reconheço o esforço que a Câmara Municipal de Lisboa tem
vindo a fazer por corresponder às expectativas dos jovens lisbonenses,
apostando no empreendedorismo jovem como é o caso da Start-Up Lisboa, construindo equipamentos desportivos, jardins infantis e
creches, bem como tornando Lisboa numa Cidade Erasmus. Todas estas apostas nas
áreas do Desporto, Educação, Espaços Verdes, Urbanismo e não só, têm uma grande
influência na política de juventude da cidade de Lisboa, promovendo a sua
efectiva realização através da agregação dos diversos projectos promovidos nas
referidas áreas. No entanto, muito ainda há por fazer sendo caso de uma obra de
relevo para a Juventude a reabilitação do Caleidoscópio, transformando-o num
espaço académico, tão essencial na cidade de Lisboa, que tarda a passar do
papel para a realidade. Em suma, o balanço que faço, apesar de não ser
perfeito, é extremamente positivo quanto ao desenvolvimento da actual política
de Juventude na cidade de Lisboa.

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