Ora, mais uma vez estes jovens que andam por aqui a Pensar Lisboa resolveram
deixar o conforto dos seus computadores e ir para a rua. E que bela manhã de
sábado passaram estes jovens na Mouraria. Lá seguiu rua acima, rua abaixo, uma
delegação do nosso espaço.
O ponto de encontro estava marcado para a praça do Martim Moniz, pelas 10 da
manhã. E que grande vida tinha aquela praça. Começámos por um café no Centro
Comercial Mouraria. Primeiro impressão: Chinatown com sabor a Índia. Grandes
carregamentos chegavam ao local. Era dia de repor o stock. Lojas cheias de
artigos para telemóveis, roupas, sapatos, malas e especiarias típicas da China,
Índia, Nepal e outros países. Um ambiente de feira permanente no Centro. Cá
fora, com o tempo a permitir um passeio agradável, o largo do Martim Moniz está
muito mais interessante. Dois quiosques abertos. Seria positivo um aumento do
número de quiosques naquela zona. Observámos ainda a construção dos tão falados
prédios da EPUL. Esperemos que sejam uma oportunidade a sério para reabilitar
aquela zona.
Mas começámos então a caminhada de descobrimento. O início da Mouraria
obriga pois a uma passagem pela Severa, foi uma cantora portuguesa de fado,
considerada a mítica fundadora do fado, caracterizada pelos seus fados
lisboetas. A Severa nasceu em Lisboa, no Bairro da Mouraria, em 1820. Era
filha de Severo Manuel e Ana Gertrudes. A sua mãe era proprietária de uma
taberna e tinha por alcunha "A Barbuda", devido à barba que tinha na
cara. A Severa era uma prostituta alta e graciosa, que cantava o fado
(especialmente numa taberna da Rua do Capelão). Foi com este conhecimento histórico
que seguimos rua acima.
Chegámos então a um largo em que a Associação Renovar a Mouraria se
encontrava a promover a iniciativa Banco de Tempo. Um banco onde as pessoas
cedem o seu tempo e as suas capacidades. Apoio a quem precisa, ensinar línguas,
outras disciplinas, baby-sitting, apoios aos mais velhos, depende da vontade e
do tempo que querem ceder. Uma excelente iniciativa nos tempos actuais. Ouvimos
a explicação e ficámos a saber mais sobre esta ideia.
Seguimos caminho e fomos conhecendo mais locais. E que bela é a Mouraria! Casas
já recuperadas, passámos pela Rua do Capelão, pelo local onde Fernando Maurício
nasceu. Local de passagem obrigatória. Respira-se Fado pela Mouraria. Conversámos
com as pessoas que encontrámos pela rua. A alegria de ver gente era comum em
todos. Muitos nos disseram que faz falta mais juventude na Mouraria. Problemas
são as casas abandonadas e a droga que circula perto...
Conhecemos o Palácio da Rosa, futuro hotel de Charme em plena Mouraria, em
frente ao hostal páteo. Nessa mesma rua, mais um café e uma amena conversa com
o Sr. Almeida e respectiva esposa. E que belo abrir de olhos nos serviu a
conversa para os problemas da Mouraria. Uma casa bem simpática e que
recomendamos a todos o Solar São Cristóvão.
Continuámos a percorrer cada rua e beco, a observar com toda a atenção as
pinturas e referências ao Fado. E os mercados e cafés bem agradáveis que fomos conhecendo. É um bairro que como diz a canção: "Ai Mouraria dos rouxinóis nos beirais, dos pregões tradicionais. Ai Mouraria da Severa e mais saudosa, na guitarra a soluçar".
Para terminarmos já para as bandas de Alfama no
Miradouro do Chão do Loureiro.
Sem dúvida uma bela manhã por Lisboa e que nos “abriu horizontes” sobre a
nossa cidade. Pensar é isto. É conhecer, aprender e partilhar.



Que passeio maravilhoso que devem ter tido. Bem hajam por falar da nossa Mouraria.
ResponderEliminarParabéns pela iniciativa. Estou como Albano, bem hajam de falarem dessa beleza que é a Mouraria.
ResponderEliminarExcelente passeio que fizemos e logo pela manhazinha...
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