LISBOA E OS JOVENS
Creio bem que no momento em que se aceita
escrever um breve texto sobre Lisboa e os
Jovens, importa, desde logo, entender o que, efectivamente, distingue um
Jovem Lisboeta dos demais, à luz da realidade contemporânea.
Objectivamente, nada. Um Jovem – sem querer
aderir a balizas etárias que o qualifiquem ab
initio – entrega-se gratuitamente à natureza livre do ser humano, leia-se:
desligada e independente do aparelho dos interesses paralelos; sujeita-se ao
crivo da própria consciência e move-se pelo instinto fraterno do dever ser como condição única e
necessária para a edificação de um mundo
novo ou, no mínimo, subliminarmente diferente. Não se instala, reage. Não
cala, manifesta-se.
Subjectivamente, muita coisa. A sociologia
revela-nos que o Homem é um produto do meio de onde é oriundo, sendo ele
próprio um reflexo do habitat socio-cultural onde tem existência física.
Lisboa, enquanto capital do País, revela-se aos Lisboetas como metrópole
embaixadora do óptimo e do péssimo; se preferirmos, como um centro de imputação
da saúde revigorante da modernidade e da doença que é o excesso dela, como
garbosa tradicionalista e saudosa anfitriã da História, ao arrepio da
recorrente corrosão estética e moral da identidade portuguesa e dos bons
costumes.
À boleia do Tejo, Lisboa contempla serenamente o
Atlântico, brinda aos novos mundos que
deu ao mundo, à imortalidade dos poetas, em plenos pulmões canta um fado à
desgarrada em cada esquina, contempla a luz messiânica do Castelo durante a
noite, sossega com a bênção do Patriarca, aplaude com gáudio a festa no campo
ou na praça e beija a democracia que, também lá, se fez instituição.
Com efeito, cada dia vivido nesta cidade carece
de ser agarrado pela Juventude que, sem querer, ou melhor, sem ter autonomia de
vontade neste particular, se enraíza no seu espírito e desbota ao toque da
gíria quotidiana da sua terra. A pergunta que se impõe é taxativa: de que forma?
Cabe aos Jovens assumir uma participação activa
e empreendedora na vida de Lisboa, interiorizando e precavendo, a priori, o respectivo património
histórico e humano, estimulando o envolvimento da comunidade nas grandes causas
destes tempos, estabelecendo, por essa via, um elo de ligação e de afinidade
com os Lisboetas, participando na alternativa para a solução dos problemas que
hoje se vivem intensamente.
Sem se oferecerem ao anonimato cobarde quando
surgir a oportunidade de intervir em nome do seu semelhante, exige-se que
acompanhem a própria sociedade e que sejam autênticos nessa profissão de
vontade. O ideário da juventude deve reconduzir-se a um trabalho construtivo,
sério e gratuito por uma geração de mérito no cumprimento do seu dever e na igual
medida capaz de exercer livremente e de forma responsável, os direitos de que,
com justiça, é titular.
Destarte, é a apostar na acção educativa da
juventude, nos campos da formação humana, académica, cultural e física, que o
Município tem o seu maior ónus enquanto pedagogo do futuro: que educa ética e
moralmente Homens e Mulheres para, no imediato, servirem os seus pares e, mais
tarde, o seu próprio País.
Os Jovens são a maior ponte de Lisboa: aquela
que liga o passado ao futuro, por onde viaja a esperança numa sociedade melhor,
mais justa, mais portuguesa.
Francisco Rodrigues dos Santos

Caro Francisco,
ResponderEliminarMuito obrigado pelo contributo. O nosso espaço está sempre disponível para mais opiniões. E para desafiar quem ocupa lugares de destaque na cidade.
Parabéns pelo convidado. Vão ter de outros partidos?
ResponderEliminarMuito bem escrito, parabéns!
ResponderEliminarExcelente artigo de opinião!
ResponderEliminarParabéns ao Blog e ao Autor!
Que bem servida que está a JP Lisboa!
ResponderEliminarExcelente artigo do seu Presidente. Vou ficar atenta.
Catarina P.